A crise e os games, como afeta o nosso bolso


Queda das commodities. Ações em baixa. Mercado arrefecido por uma diminuição significativa de crédito e, por fim, o dólar subindo exponencialmente. Conforme o atual arcabouço financeiro vai se esfarelando, fica bastante claro que a atual crise, assim como a que propagou o caos em 1929, pode sim acabar alcançando indistintamente setores, mercados e bolsos.

Bem, e como ficamos nós, jogadores, em meio à atual derrocada econômica? Estaria o mercado de games devidamente salvaguardado da crise? Embora as opiniões sobre o assunto ainda deixem margem a dúvidas (o crash de 29 provou muito bem que crises não demandam apenas ciências exatas), fato é que o mercado está inseguro, a confiança tem decrescido juntamente com o crédito.

E isso sem dúvida acaba gerando efeitos também no mercado de games, que não é nem de longe um setor alienado. Segundo disse a Mestre em Economia pela Unesp (Universidade estadual paulista) e Doutoranda em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Tatiana Belanga à revista EGM (edição de novembro de 2008): “A afirmação de que algumas indústrias e setores específicos da economia estariam blindados contra a crise financeira que estamos vivenciando não tem solidez. O que vemos é uma crise generalizada”.

A crise e o mercado de jogos
Qual pode ser o reflexo na indústria dos games?”

Bem, e onde exatamente essa tão falada crise vai afetar o bolso do fiel jogador? Dois pontos deveriam ser considerados. Em primeiro lugar, vale lembrar que no Brasil praticamente qualquer produto relacionado aos games ainda é adquirido através de importação. Bem, um dos primeiros sinais de que o mercado andava mal das pernas foi a alta do dólar, que influencia diretamente no preço das importações. Quer dizer, importar agora, para uma grande parcela da população, só mesmo aquele jogo favorito.

Por outro lado, a contenção natural de custos que acompanha um quadro como o atual deve segurar um pouco as coisas no mercado de games, que andava há algum tempo de vento em popa. Quer dizer, se as pessoas tem menos dinheiro, qual pode ser uma das primeiras necessidades a serem cortadas? Pois é, certamente o entretenimento. Menos pessoas comprando jogos significa menos jogos sendo desenvolvidos e comercializados.

Prova disso é recente declaração de John Riccitiello, CEO da Eletronic Arts, de que a empresa pretende cortes de funcionários e projetos para o próximo ano fiscal, graças à vendas não tão bem sucedidas de títulos como Mirror’s Edge, Need for Speed: Undercover e Rock Band 2. Até o momento, sabe-se apenas que a empresa pretende não mexer muito nos gêneros esportivos.

“Enquanto que nós vimos aumentos significativos na qualidade dos nossos produtos principais esse ano, nós estamos desapontados com os nossos jogos lançados durante o feriado prolongado (), que não estão alcançando as nossas expectativas de vendas. Dada essa performance e a incerteza do ambiente econômico, nós estamos tomando atitudes para reduzir a nossa estrutura de custos e aumentar a rentabilidade do nosso negócios”, afirma Riccitiello.

Mas ele completa: “embora nós estejamos cortando custos, continuamos comprometidos em investir na qualidade de grandes jogos, em novas propriedades e nas nossas iniciativas diretamente ligadas ao consumidor. Nós estaremos lançando vários novos títulos e jogos online durante o ano fiscal de 2010”.

Vale lembrar que a EA cortou recentemente um efetivo de cerca de 600 postos de trabalho, o equivalente a 6% da sua força de trabalho. A empresa afirma que os cortes devem garantir cerca de 50 milhões de dólares a mais em caixa anualmente.

Sony
“A gigante japonesa deve assumir uma posição defensiva”

Questões monetárias também acabaram afetando outro canto do mundo. A moeda japonesa, o iene, tem passado por um grande fortalecimento, que é um reflexo da atual crise. Se uma conjetura dessa natureza seria, possivelmente, de menos relevância para um produtor interno, certamente não o é para a gigante Sony, que deve cerca de 80% da sua receita às exportações.
A Sony Groups recentemente reduziu as suas projeções de lucros em 59% em relação aos anos anteriores, prevendo uma redução de 1,5 bilhão de dólares para o ano fiscal que tem início em março de 2009.

Sendo ou não um reflexo direto com o atual arrefecimento financeiro e do conseqüente fortalecimento do iene, fato é que a empresa recentemente lançou iniciou um corte sistemático no seu quadro de empregados, o que deve atingir 8.000 empregos até março de 2010. A medida faz parte de uma iniciativa de redução de custos que prevê a economia de 1,1 bilhão de dólares por ano.

Embora nada tenha sido afirmado até o momento em relação à divisão de games da companhia — até porque, até o momento, a indústria tem estado aquecida —, um porta-voz da subsidiária européia da empresa afirmou que “a fim de permanecer competitivos diante da aceleração do ambiente global, nós vamos sempre fazer revisões cuidadosas e mudanças estruturais, se necessário, a fim de promover expansão e reforçar os negócios com o PlayStation ao redor do mundo” (tradução livre).

Onde investir o dinheiro?
“Qual console está mais equipado para subsistir à atual crise?”

Não obstante o fato de a indústria de games estar fechando o ano de 2008 em alta, a julgar pelo atual cenário financeiro, é bastante razoável acreditar que o consumidor ficará muito mais exigente e seletivo; basicamente, a relação custobenefício deve imperar durante um bom tempo. Assim sendo, fica a pergunta: qual dos consoles tem atualmente o melhor status para atravessar esse tempo de “vacas magras”? Vejamos alguns dados.

Nintendo Wii

Sendo o atual líder isolado do mercado, parece razoável acreditar que o Wii pode continuar em alta graças aos baixos preços e à jogabilidade diferenciada. Por outro lado, o público do console é composto principalmente por jogadores casuais, que são os primeiros a abandonar o barco quando a coisa fica feia. Vale lembrar que as ações da Nintendo tiveram uma baixa recentemente.

Sony PlayStation 3

O PS3 é o mais recente marco de uma linha de absoluto sucesso entre os jogadores (PlayStation e PlayStation 2). O console também ganha pontos pelo espaço de armazenamento da sua mídia, o blu-ray, além de ostentar o fato de ser o mais poderoso console de sétima geração (embora isso ainda não tenha sido realmente provado). Por outro lado, durante a crise o poder de compra dos consumidores certamente será abalado — como já vem sendo —, e o alto preço do console pode acabar atrapalhando.

Microsoft Xbox 360

Em uma briga constante pela segunda posição junto ao PS3 (primeira posição, caso se considere apenas o público hardcore), o Xbox 360 leva vantagem em pontos como o preço dos jogos (diretamente ligado ao preço da mídia), vários títulos exclusivos e uma facilidade maior de programação para os desenvolvedores dejogos. Por outro lado, a rede online do console da Microsoft é paga (o que não acontece como PS3), e vários problemas com consoles lançadosdiminuíram um pouco a confiança dos jogadores — quer dizer, com pouco dinheiro, o negócio pode ser investir em algo de comprovada durabilidade.

Fato é que, no fim das contas, é difícil vislumbrar quem realmente deve emergir intacto da atual derrocada. Conforme já dito, o setor de entretenimento é dos primeiros a sentirem o impacto, posto que não são bens de consumo básico — você vai ter que necessariamente comer, mas não necessariamente jogar videiogames durante a crise.

Por outro lado, o público mais fiel dos videogames já encontrou quadros desfavoráveis em diversas oportunidades — como a crise específica do setor desencadeada durante os anos 80 —, mas nem por isso deixou de guardar as suas moedinhas para alimentar o amado hobby.

E você. Pretende mesmo com a alta do dólar importar aquele jogo favorito? Vai esquecer o pessimismo dos meios de comunicação e comprar o tão aguardado videogame de sétima geração? Ou o negócio é esperar para ver onde realmente a coisa toda vai desembocar? Quer dizer, nada mais inconstante que o mercado financeiro. O Baixaki Jogos quer saber a sua opinião.

Fonte: GameVício
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